sábado, 1 de agosto de 2015

HISTÓRIA DO CAFÉ


  A planta do café é originária da Etiópia onde era usada como alimento. Em 575 d.C. passa a ser cultivada pelos árabes com o objectivo de a utilizarem na preparação de uma bebida. 
A lenda mais conhecida atribui a descoberta das propriedades do café a um prior de um mosteiro cristão, no qual um pastor de cabras, de nome Kaldi, se teria apercebido de que os animais confiados à suaguarda, após haverem comido de “uma certa planta” não dormiam e ficavam em grande agitação. O prior certificou-se do facto e utilizando os grãos dessa planta fez beber a decocção obtida aos seus monges, os quais ficavam mais despertos durante os ofícios religiosos da noite.
  Existem outras lendas que falam sobre um fanático religioso expulso de Moca que se refugiou nas montanhas da Arábia. Ele provou alguns frutos estranhos que cresciam num arbusto ma como eram amargos, tentou melhorar o sabor tostando-os sobre o fogo. Como isso os tornou quebradiços, ele tentou amolecê-los com água, a qual ficou com um tom castanho. Quando bebeu o líquido descobriu que era bom e revigorante. Isto teria acontecido por volta do século XIII.
  O café, que até ao final do século XVII, vinha totalmente da Arábia era então conhecido como Moca, o nome da cidade de sua origem.
  Em 1475 surge em Constantinopla a primeira loja de café, produto que para se espalhar pelo mundo se beneficiou, primeiro, da expansão do Islamismo e, numa segunda fase, do desenvolvimento dos negócios proporcionado pelos descobrimentos.
  A princípio, o café era vendido principalmente por vendedores de limonada, e acreditava-se que possuía propriedades medicinais. A primeira casa de café europeia abriu em Veneza em 1683. O famoso Caffè Florian abriu na Piazza San Marco em 1720 e continua aberto e a funcionar até hoje. O café chegou pouco depois a França (1659), tendo o seu consumo expandindo-se rapidamente.
  As "casas de café" na Europa tornaram-se então lugares influentes, frequentados por artistas, intelectuais, mercadores, banqueiros, etc., sendo um fórum para actividades políticas e desenvolvimento da sociedade.
  Surgiram vários opositores ao café em todos os lugares. Na Itália, por volta do ano de 1600 os padres pediram ao Papa Clemente VIII para proibir a bebida favorita do Império Otomano considerando-a parte da infiel ameaça, porém após o Papa beber um gole achou-a deliciosa e decretou-a como uma bebida aceitável para os cristãos.
  No século XVIII, em Portugal, com Francisco de Melo Palheta, durante o reinado do rei D. João V, conseguiu introduzir-se o café no Brasil e transformá-lo no maior produtor mundial. Daí foi levado para Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.
  Em Angola, o café surgiu anteriormente e pensa-se que foi introduzido por missionários portugueses. Em Timor foi introduzido pelos holandeses.
  Durante o séc. XVIII apareceram os primeiros cafés públicos inspirados nas tertúlias francesas do séc. XVII, que se tornaram espaços de animação cultural e artística. Surgiram vários cafés em Lisboa, entre eles o Martinho da Arcada, Café Tavares, Botequim Parras.
Já no princípio do séc. XIX abriram os famosos cafés Marrare fundados por António Marrare, siciliano de origem, negociante de vinhos engarrafados, licores e café. Tal como era referido na altura "Lisboa era Chiado, o Chiado era o Marrare e o Marrare ditava a lei". Com Júlio Castilho, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, entre outros, estes cafés públicos foram autênticas academias de moda e de pensame
  Em 1963 foi criada a Organização Internacional do Café (ICO) sediada em Londres e foram estabelecidas quotas de café tanto a países produtores como importadores de forma a evitar uma contínua variação dos parâmetros em jogo. Sob o controlo da ICO, os preços permaneceram relativamente estáveis durante quase 25 anos. Em finais dos anos 80 o acordo começou a não funcionar convenientemente. Produzia-se um excesso global de café e muitos países não estavam de acordo com as quotas que lhes eram atribuídas pela ICO.
  O invento da cafeteira em finais do século XVIII, por parte do conde de Rumford, deu um grande impulso à proliferação da bebida, ajudada ainda por uma outra cafeteira de 1802, esta da autoria do francês Descroisilles, onde dois recipientes eram separados por um filtro.
Hoje em dia encontramos um café em qualquer parte do mundo e pode-se mesmo afirmar que existe a “cultura do café” com milhões de fiéis seguidores.